Domingo, 22 de Abril de 2012
O OBJECTO DE FASCINAÇÃO E REPULSA DE AUBE ELLÉOUËT
Reduz a um filete de leite sem fim
o jorro de um ventre de vidro
Sábado, 14 de Abril de 2012
RODAADOR
Tão doces tarântulas trazem os deuses por olhos.
-Joana dos Espíritos
-Joana dos Espíritos
Onde estão hoje as sete escravas de ouro que vendi
para sair do Luxemburgo, cadê vocês escravinhas?
Que isto agora é o Luxemburgo
e chovem partes de automóveis e locomoção urdidas pela pinga
chovem prantos sem botos nem resgate
chove muita coisa miudinha
os cafés-réplica destilam um desespero novo, que mal tem a novidade antes pelo contrário
mas a réplica repica o original e reina
a confusão do quereres onde antes a confirmação
do círculo
isto aqui agora é o Luxemburgo
míope, tão míope
Onde está o vosso brilho agora, meninas?
Durante todos esses anos (seis) falei pra mim mesma
o que importa é que estou aqui
fit as a fucking fiddle
deixei inocência no escuro da encosta do município
(ou será condado?)
mas o que importa é que regressei
com as minhas fa
com as minhas fa-fac
com as minhas fa fac-facu-ul
as f-fa-faculdades
intactas
isto aqui é o Luxemburgo e a luz inalterável do Luxemburgo
põe os cavalos na carroça do cortejo do país
Fúnebre, bem entendido.
Onde estão vocês, sete escravas da libertação?
A primeira derreteu na minha desobediência mansa
A segunda, confesso, foi na senda da incredulidade
do seu valor, fortuna a súbita desenvoltura
do poder mover-me, hidratar-me;
Foi a terceira que me traiu- por preguiça
As outras quatro o desespero ceifou de uma vez
e a mau preço, sabia-o, mas era
preciso
fugir
E se olho para trás
bom, é porque posso.
e é por raiva, para contemplar a ruína
se volto a cabeça para trás (e precipito, rosto e tudo
na putativa cristalização do sal)
faço-o piscando o calcificado olho a X., ordeiro soldado
refém de uma caligrafia deseperadamente contida.
Se agora vos invoco, sete irmãs, é para lembrar
-toda em sal-
que a que parece a única saída
muitas vezes é única saída.
Tinha uma outra, oitava.
era de prata/ ao pescoço
encerrava o maior entre os meus poderes- não era minha
Um vómito provocado mais um par de bichas mais a noite luxemburguesa ma
a-rran-ca-ram do pescoço. Essa noite inscreveu-me na lista
da vingança, da ira, da perversão
acabei
sendo o meu próprio ladrão mas não é essa a questão.
A questão é que o mundo conspira
A questão é que o mundo gira
Isso aqui agora é o Luxemburgo
& todos os filhos
Onde estão vocês, escravas?
hoje não vos libertaria
não assim:
Oitava
tua eterna dona
está sentada no muro
Tem as meias rotas
mas olha com duas incorruptíveis tarântulas por olhos
o futuro
Sexta-feira, 13 de Abril de 2012
prece de um pé ao outro
Um dos meus pés chorou
Junto à sarja
molhado, distraído
E se um é chora
como fazer do outro coto
o boto
o translúcido
que não se agita
que rosa obedece e branco acredita
nessa senda de lama/ toda cama
o boto
o translúcido
que não se agita
que rosa obedece e branco acredita
nessa senda de lama/ toda cama
sem lenço/ sem documento
leva este carpintado desalado em tua boca
Boto, amigo, cavalgas/ não nadas
Quarta-feira, 11 de Abril de 2012
VAI PASSÁ O BOI
Tenho que pegá
viagem de gerir a fome também purifica o adro
pra que procissão prossiga/ progresse, evolutiva
também purifica o fogo do corpo
pra que quando passar
ela me inclua
viagem de gerir a fome/ esse fluxo cavalgado
abre alvos em cada esquina
luxo é tudo ser destino
e rejubila de alegria a paragem digestiva-
a felicidade é celular
-peguei!
viagem de gerir a fome também purifica o adro
pra que procissão prossiga/ progresse, evolutiva
também purifica o fogo do corpo
pra que quando passar
ela me inclua
viagem de gerir a fome/ esse fluxo cavalgado
abre alvos em cada esquina
luxo é tudo ser destino
e rejubila de alegria a paragem digestiva-
a felicidade é celular
-peguei!
Domingo, 18 de Março de 2012
AVA
as rosáceas do leopardo
não encerram nenhum ponto,
as do jaguar
sim
camuflada de matriz
celular
camuflada de novo modelo
para o universo,
pisa lenta impassível
a pata do não ornado
Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2012
O ELEU
é um sim/não
sem vez
o eleu parece, desaparece. alma do parece, desparece! perece
deste
sim/não que é senão
aqui.
a alegre
a alegre transmutação do mato
a alegre transmutação da mata
o eleu, de manhã ele de noite eu.
ambos
tropeçam do desembaraço deste ver e desaparecer de ser visto
sem vez
o eleu parece, desaparece. alma do parece, desparece! perece
deste
sim/não que é senão
aqui.
a alegre
a alegre transmutação do mato
a alegre transmutação da mata
o eleu, de manhã ele de noite eu.
ambos
tropeçam do desembaraço deste ver e desaparecer de ser visto
Domingo, 4 de Dezembro de 2011
El Tigre
São os velhos homens humanos passando, passando, atravessando.
Atenta al tigre de la puerta.
El tigre de Borges es ese, el que todos los dias hay que cruzar para salir a la calle.
Para la charcutería y el sol hay que romper al Tigre.
Para comer hay que romper al Tigre.
Para bañarse hay que cruzarlo.
Para cuidar a su jardin hay que cruzarlo.
Que significa esto Cruzar Un Tigre?
Si salir a la calle es penetrar su entraña, que nueva orden mundial se empaña?
Que nuevo mundo empieza a dibujarse:
calles-vísceras, montañas de ocio,
cielos esplendido hueso
ríos-sospecha, corage
dobla del todo.
Hay que desazerlo para seguir
y hay que hacerlo (con los ojitos) pa volver
Volver- hacerse a su placer,
hacerse tragar de nuevo al entrar
y una vez dentro
del tigre dormir,
huír, escribir.
- Este es el Tigre de Borges, pero hay otro
ronda
y no se ve.
Lisboa, Noviembre del 2011
Terça-feira, 29 de Novembro de 2011
Canto XV
iniki
Sou o primeiro
sou mesmo como
o açaí-demónio
acima das nuvens
rasgando o céu
assim é como sempre foi
A forma do guardião-demónio:
as folhas da árvore-demónio
essas folhas contorcem-se
lembram um enxame de pássaros-demónio
inúmeros, estão se movendo
são o mesmo
Estou mesmo cantando
enquanto do canto
do lábio escorre
sumo de tabaco
Ahhhhhh! digo! Ahhhhhhh!
Sou o primeiro
que traz ao peito
sangue de folha fresca
adornado com imagens
o losangulo-demónio
a geometria é a matriz
pela geometria aprendi
As imagens no meu peito
controlam os demónios:
sou mesmo o primeiro
sou o demónio dos demónios.
Canção Marubo passada, vertida, escorrida para o português.
Sou o primeiro
sou mesmo como
o açaí-demónio
acima das nuvens
rasgando o céu
assim é como sempre foi
A forma do guardião-demónio:
as folhas da árvore-demónio
essas folhas contorcem-se
lembram um enxame de pássaros-demónio
inúmeros, estão se movendo
são o mesmo
Estou mesmo cantando
enquanto do canto
do lábio escorre
sumo de tabaco
Ahhhhhh! digo! Ahhhhhhh!
Sou o primeiro
que traz ao peito
sangue de folha fresca
adornado com imagens
o losangulo-demónio
a geometria é a matriz
pela geometria aprendi
As imagens no meu peito
controlam os demónios:
sou mesmo o primeiro
sou o demónio dos demónios.
Canção Marubo passada, vertida, escorrida para o português.
Sábado, 29 de Outubro de 2011
São Paulo segundo a cabeceira de Flannery O'Connor (para Anthos)
ATÉ AGORA SOMOS O
ABSOLUTO DO MUNDO
Sexta-feira, 14 de Outubro de 2011
descido está o anjo erradica a dor (para a Matilde)
A ALEGRIA É A PROVA DOS NOVE (OSWALD)
aparecida apareceu
(de cara pintada de amarelo porque naqueles dias só sabia pensar em jaguares)
e esta,
infelizmente
nunca soube atempadamente
que ela
era eu
E A PROA DOS NOVENTA
Quarta-feira, 5 de Outubro de 2011
DO OBJECTO "SIM"
Quando desceu enfim
de si,
e dos olhos
das mãos
da cara de luz
Eu reconheci o meu irmão
Tinha um boi adornado na testa
escandido para a festa
Era um boi adornado para a festa
com um cd na testa
e do brilho
reflector
nasceu Esplendor:
brilhava, brilhava:
acontecia muito brilhante
tão multiplicante!
e a cara do anjo
nas quatro cardeais!
Bambu rasante
na garganta
a janta
a estrela toda a volta
de narciso em riste
é o anti-afogamento
o anti-afogamento!
na garganta
a janta
a estrela toda a volta
de narciso em riste
é o anti-afogamento
o anti-afogamento!
Era a face oculta
do querer
Era, foi, será
a óbvia seta tesa
zerando a reza
dos campos
dos mantos
dos prantos
dos sem-raíz
E dos braços adornados
que a trança em cobre
a transa encobre
manda ordena: avançe a dança!
vibra
sempre alegre o rio e teso o fio
do arco da conversa
Vejam pois, infindas
as graças de meu irmão
que antes do leite
é deleite argonado pousado
em pleno templo-
dançura marquidão
doçura negridão
Vem
coagula e paralisa o jogo
sua mão,
depois dos pássaros ele chega
e instala seu profético multicolor
Ousado no coração azul
desvenda irmão
o pleno corpo
avançado
do querer
Era, foi, será
a óbvia seta tesa
zerando a reza
dos campos
dos mantos
dos prantos
dos sem-raíz
E dos braços adornados
que a trança em cobre
a transa encobre
manda ordena: avançe a dança!
vibra
sempre alegre o rio e teso o fio
do arco da conversa
Vejam pois, infindas
as graças de meu irmão
que antes do leite
é deleite argonado pousado
em pleno templo-
dançura marquidão
doçura negridão
Vem
coagula e paralisa o jogo
sua mão,
depois dos pássaros ele chega
e instala seu profético multicolor
Ousado no coração azul
desvenda irmão
o pleno corpo
avançado
Se espalham
e gritam os átomos
do teu canto:
Ahhhhhhhhh!
e gritam os átomos
do teu canto:
Ahhhhhhhhh!
É a face alegre, alegre
equidistante
É a face alegre, alegre
equidistante
REFULGE
REFULGE
RESPLANDECE
REFULGE
RESPLANDECE
(VIRÁ QUE EU VI!)
Quinta-feira, 22 de Setembro de 2011
A senhora H.C. explica como atravessou os delírios da atenção extrema
Patiently, patiently and persistently
Pentear-se
com o pente da loucura ou
pentear-se com o do fogo- c'est pareil
desde que se mantenha a escrupulosa
passagem dos fios
-a maior contagem do amor-
se fará da cabeça
a mesma coroa
de luz
com o pente da loucura ou
pentear-se com o do fogo- c'est pareil
desde que se mantenha a escrupulosa
passagem dos fios
-a maior contagem do amor-
se fará da cabeça
a mesma coroa
de luz
Sábado, 10 de Setembro de 2011
Segunda-feira, 5 de Setembro de 2011
Equânimo café da manhã
Que faríamos nós de nossa vida tão pura?
C.L.
Adoro muesli pela manhã.
Como explicar a inesperada
alegria do coco?
doçura tão súbita que atravessa
toda a dormência da língua & etc.
Detesto a aparição do verme
na fruta de cada dia.
Irrompe feroz o anúncio da podridão
Ri e ri e rindo sacode
toda a dormência da superfície.
Agradeço estas duas surpresas
& a diferença entre elas
alegria do coco?
doçura tão súbita que atravessa
toda a dormência da língua & etc.
Detesto a aparição do verme
na fruta de cada dia.
Irrompe feroz o anúncio da podridão
Ri e ri e rindo sacode
toda a dormência da superfície.
Agradeço estas duas surpresas
& a diferença entre elas
Terça-feira, 2 de Agosto de 2011
O índio brasileiro é o herói do western americano
Arder o prociso índio!
arder-lhe a procissão em que o escancararam, signo, bandeira, Baby Flag, ardeu.
vergonhas raspadas, o índio é de cera!
Tarados cor de perú: estáis hoje onde estáveis ontem mas esse aí,
ecce homo, ecce indú, está indu adiante
está indo o indu adiante desde o princípio dos tempos
arder-lhe a procissão em que o escancararam, signo, bandeira, Baby Flag, ardeu.
vergonhas raspadas, o índio é de cera!
Tarados cor de perú: estáis hoje onde estáveis ontem mas esse aí,
ecce homo, ecce indú, está indu adiante
está indo o indu adiante desde o princípio dos tempos
Fogo a esse folclore
estou chaman do -não ouvem?
a nova encarnação do homem
chaman aquele que chama
virá, que eu vi!
Sexta-feira, 29 de Julho de 2011
Tuas presas reinando sobre o não-coral
(Beleza, Langor & Elegância)
um coral um colar
um cunhal letal à jugular
um punhal punhado de cores
estocado
eu brado.
um coral um colar
um cunhal letal à jugular
um punhal punhado de cores
estocado
eu brado.
Sexta-feira, 22 de Julho de 2011
sambinha no arkansinhas
No arkansas um fogo subterrâneo
fez furor ao longo da estrada estatal
mais perto,
mas ainda assim tão longínquas
do querer,
se ergueram
cúpulas de canaviais.
São trombetas, as canas
da nossa costa:
anunciam,
rebentam por dentro
a própria alegria da novidade.
Onde outros abusam
das suas características flexíveis
para a contrução,
as canas da nossa costa
permanecem intactas,
inúteis instrumentos
de navegação que ora
dizem água,
costa,
estio,
maldade,
ora rebentam
-sem precisar de flautas
nem precedentes-
à passagem das prometidas.
Na borda da estrada estatal
um par de pés dança sem termostato
um improvável samba
com o calcanhar na batida fraca
da cadência.
Na batida fraca,
na batida fraca.
fez furor ao longo da estrada estatal
mais perto,
mas ainda assim tão longínquas
do querer,
se ergueram
cúpulas de canaviais.
São trombetas, as canas
da nossa costa:
anunciam,
rebentam por dentro
a própria alegria da novidade.
Onde outros abusam
das suas características flexíveis
para a contrução,
as canas da nossa costa
permanecem intactas,
inúteis instrumentos
de navegação que ora
dizem água,
costa,
estio,
maldade,
ora rebentam
-sem precisar de flautas
nem precedentes-
à passagem das prometidas.
Na borda da estrada estatal
um par de pés dança sem termostato
um improvável samba
com o calcanhar na batida fraca
da cadência.
Na batida fraca,
na batida fraca.
Segunda-feira, 18 de Julho de 2011
Ainda canto o índio
Não sei se era dia ou noite
quando comecei a beijar tudo cá dentro
beijei-me pai
beijei-me mãe
beijei-me filha
e unhas.
Beijei os ossinhos luminosos
e os que afiei escuros para desígnios
mal designados.
Beijei as tripas- estavam quentes
mas o consolo era genuíno.
Beijei a puta e a virgem na boca,
beijei-me homem, lobo, caralho
e à desprezada concedi o tempo
que passei aos pés da idolatrada
& vice versa.
Beijei tudo, tudinho
e cada lago era uma poça
cada pântano, saliva.
Mas quando beijei o meu carro
era beijo de ir embora
-entendo que o beijo tudo despede,
arranco-
e a canção, como a ilusão,
tem de acabar.
E que eu permaneça
me amando
enquanto esta terra sustentadora de árvores se estenda.
Quinta-feira, 9 de Junho de 2011
À mesa de Adua
Disse o profeta daquele que canta, que dança, que, enfim, está morto.
Arcontemplação da gíria celeste
e Francisco brilhando escuro no escuro
do escudo
Um phalo phlorido de cujo deus a espada
é o ressentimento.
De uma a outra chaga,
perfeito é o eixo
perfeita
a infra estelar
costela
como uma flecha de paredes óptimas
desafiando o destino,
desfiando a trajectória.
Flecha no ponto negro vigiado:
Ciúme- era a garganta
Tacha no ponto certo
do azimute:
Pai- era de ouro.
A linguagem, filo mena
é o braço que vai de deus
às coisas mudas
E INIJI já só deseja a língua
nela calcifica o instante
todo
dos dentes
/
de todos os dentes.
Sábado, 21 de Maio de 2011
I.
Não saberia destrançar a canção do feitiço.
Eu sou a primeira,
aquilo que de mim é azul
fala de cobras azuis
está falando de certas azuis verdades,
e do meu caralho.
Digo:
Eu sou o primeiro,
Descendemos dos xamãs
Somos os filhos do povo jaguar
Somos os galhos da árvore jaguar
Somos os dentes da boca jaguar
O lugar de sangue
que cria a criança cria o demónio
O lugar de sangue
E ensinar é criar
Quando a última palavra se calar
Isto será o que eu penso
Isto será o que eu digo
Estou morto, morto, morta!
Estou morta
Mas voltarei em melhor forma
Ahhhhhh! Era isto que eu tinha para dizer! Ahhhhhh!
Eu sou a primeira,
aquilo que de mim é azul
fala de cobras azuis
está falando de certas azuis verdades,
e do meu caralho.
Digo:
Eu sou o primeiro,
Descendemos dos xamãs
Somos os filhos do povo jaguar
Somos os galhos da árvore jaguar
Somos os dentes da boca jaguar
O lugar de sangue
que cria a criança cria o demónio
O lugar de sangue
E ensinar é criar
Quando a última palavra se calar
Isto será o que eu penso
Isto será o que eu digo
Estou morto, morto, morta!
Estou morta
Mas voltarei em melhor forma
Ahhhhhh! Era isto que eu tinha para dizer! Ahhhhhh!
Quinta-feira, 28 de Abril de 2011
Yasaí++
Curumim, O curumim
Porque cantas tão bem?
-Passo as tardes a chamar pelos meus irmãos
As noites, pelas minhas mães
Yasaí: do tupi-guarani quer dizer "fruta que chora".Porque cantas tão bem?
-Passo as tardes a chamar pelos meus irmãos
As noites, pelas minhas mães
Toda matéria prima para ser beneficiada precisa "chorar",
ou seja, cair das árvores para ser utilizada.
Pousai, peço, a atenção no índio, no índio que ao ritmo inalou e exalou esta explicação, dulcíssima orquestração no tear da pausa; no índio índico, índio indício claro, claro como um advento.
Curumim O curumim
Porque cantas tão bem?
-Assobiando o coração nunca se arrasta,
diz a mãe.
Porque cantas tão bem?
-Assobiando o coração nunca se arrasta,
diz a mãe.
Curumim, O curumim,
Porque cantas tão bem?
-O assobio sopra o sopro,
pá.
Porque cantas tão bem?
-O assobio sopra o sopro,
pá.
Quarta-feira, 20 de Abril de 2011
Tradução da loucura em vésperas pascais
Mensagem 0890:
<< Um tiro de ferro foi visto a sair de um carro branco inconformado. >>
Estamos feitos, pensei, mas temos tempo
o nosso é um cadillac torrado.
Mas matar um homem dá direito a uma só coroa: a eternidade da sua cabeceira.
E de tanto me esvaíres, meu morto, te tornaste meu
pai, meu esposo, meu
filho.
A tua morte chega diariamente,
diariamente renovando o
susto, a tua hora
com cada dia chega a tua hora.
Depois com a noite
cada passo meu é uma ruína
convocando
a inumerável horda de bárbaros
que a crosta terrestre aparca:
Romanos!
Cabeleiras loiras!
Anjos nocturnos!
Todos se levantam para a minha tortura.
Já não penso em Vós, Senhor. Já não penso em Vós.
Benedita Escala
<< Um tiro de ferro foi visto a sair de um carro branco inconformado. >>
Estamos feitos, pensei, mas temos tempo
o nosso é um cadillac torrado.
Mas matar um homem dá direito a uma só coroa: a eternidade da sua cabeceira.
E de tanto me esvaíres, meu morto, te tornaste meu
pai, meu esposo, meu
filho.
A tua morte chega diariamente,
diariamente renovando o
susto, a tua hora
com cada dia chega a tua hora.
Depois com a noite
cada passo meu é uma ruína
convocando
a inumerável horda de bárbaros
que a crosta terrestre aparca:
Romanos!
Cabeleiras loiras!
Anjos nocturnos!
Todos se levantam para a minha tortura.
Já não penso em Vós, Senhor. Já não penso em Vós.
Benedita Escala
Segunda-feira, 18 de Abril de 2011
A EDIFICAÇÃO DA JANGADA DEPOIS DE JOSÉ LEZAMA LIMA CRESCER NO MAR
COMO AQUELE PÁSSARO PERSA, A JANGADA JORRA A PROA
NAS QUATRO DIRECÇÕES CARDEAIS
GOLPEADA POR UM GROTESCO EOLO
INEXAURÍVEL DERROTA -É A VITÓRIA?-
QUER DOBRAR A QUINA À CURVA
A PROA FABRICA UM ABISMO PARA
QUE O GRANDE VENTO LHE MORDA OS OSSOS
E CRESCEM OS OSSOS ABISMADOS
COM AS AREIAS QUENTES AS PEDRAS DO CORPO
DURANTE O SONO CRESCEM
E CRESCEM OS TOMATES COM O RELÓGIO CENTRAL
CRESCE NO AMOLE-CIMENTO A MADEIRA
El alción, el paje y el barco mastican su concéntrico.
GIRA A EMBARCAÇÃO EM DIRECÇÃO
A UM CENTRO DE SEDA
COM AS SUAS VELAS PRESUNÇOSAS
ATÉ SE ANCORAR NUM CÍRCULO
AZUL INALTERÁVEL
DE BORDAS AMARELAS
ATÉ SE ANCORAR NA QUADRICULADA LENTE
DE UM PRISMÁTICO
NAS QUATRO DIRECÇÕES CARDEAIS
GOLPEADA POR UM GROTESCO EOLO
INEXAURÍVEL DERROTA -É A VITÓRIA?-
QUER DOBRAR A QUINA À CURVA
A PROA FABRICA UM ABISMO PARA
QUE O GRANDE VENTO LHE MORDA OS OSSOS
E CRESCEM OS OSSOS ABISMADOS
COM AS AREIAS QUENTES AS PEDRAS DO CORPO
DURANTE O SONO CRESCEM
E CRESCEM OS TOMATES COM O RELÓGIO CENTRAL
CRESCE NO AMOLE-CIMENTO A MADEIRA
El alción, el paje y el barco mastican su concéntrico.
GIRA A EMBARCAÇÃO EM DIRECÇÃO
A UM CENTRO DE SEDA
COM AS SUAS VELAS PRESUNÇOSAS
ATÉ SE ANCORAR NUM CÍRCULO
AZUL INALTERÁVEL
DE BORDAS AMARELAS
ATÉ SE ANCORAR NA QUADRICULADA LENTE
DE UM PRISMÁTICO
Segunda-feira, 11 de Abril de 2011
O Livro
Cascavel, ó cascavel
Porque tens os dentes tão brancos?
Passei a vida na selva deitada,
E tudo o que fiz foi morder
Porque tens os dentes tão brancos?
Passei a vida na selva deitada,
E tudo o que fiz foi morder
Magnífico objecto verde
Magníficas verdes polpas,
ao amor táctil magnificadas
Magnífico orgão verde,
agênsica língua.
E verde ainda o infinito
ésse:
Muskarat, O Muskarat
Sábado, 9 de Abril de 2011
Segunda-feira, 4 de Abril de 2011
PAQUE À NEW YORK
Seigneur, la foule des pauvres pour qui vous fîtes
le Sacrifice
Est ici, parquée, tassée, comme du bétail, dans les hospices.
Desemboco intacta na coroa
desta corrida:
A cidade está cheia de
corredores mas por
todo o lado o desejo
de pontes e riachos
e aquela escala tão infantil,
abrem fendas nos meus sonhos,
confundem-me.
Mesmo a nova
ior
quer-se
bucólica. Sei-o quando no meu sonho
vejo toda a perfeição rural
continuamente -mas intacta-
perpassada pela turba de gente
empurrando.
Tudo isto para desaguar na cátedra
onde cada coluna inscreve a bronze
seus atributos e convoca
os respectivos discípulos
que alardem os louvores gravados
contra a frágil existência
do poema.
É a super-estrutura do engano, penso.
E logo depois acordo para uma
sala de convenções
e um corpo nu, disponível.
És tu, Eurídice,
ou sou eu?
Mas como despertar para a
oração matinal?
Em Nova Iorque não há sinos.
Benedita Escala
le Sacrifice
Est ici, parquée, tassée, comme du bétail, dans les hospices.
Desemboco intacta na coroa
desta corrida:
A cidade está cheia de
corredores mas por
todo o lado o desejo
de pontes e riachos
e aquela escala tão infantil,
abrem fendas nos meus sonhos,
confundem-me.
Mesmo a nova
ior
quer-se
bucólica. Sei-o quando no meu sonho
vejo toda a perfeição rural
continuamente -mas intacta-
perpassada pela turba de gente
empurrando.
Tudo isto para desaguar na cátedra
onde cada coluna inscreve a bronze
seus atributos e convoca
os respectivos discípulos
que alardem os louvores gravados
contra a frágil existência
do poema.
É a super-estrutura do engano, penso.
E logo depois acordo para uma
sala de convenções
e um corpo nu, disponível.
És tu, Eurídice,
ou sou eu?
Mas como despertar para a
oração matinal?
Em Nova Iorque não há sinos.
Benedita Escala
Quinta-feira, 31 de Março de 2011
I Heard It Through The Grapevine
Grandes pedaços de couro caem da diligência do mesmo jeito que cai a carne.
E talvez por tamanho excesso de matéria orgânica - carne, pele, esperma, pó,
deste bólide se excluem os cavalos
ou qualquer força motora animal
para além da vontade própria dos meus ante braços
e do eixo do corpo todo vertido na velocidade.
Derrapagens alucinantes! Nuvens de pó!
se pudessem cheirar o couro galgante
não gritariam tanto
os meus passageiros
Dezembro 2010
Quarta-feira, 30 de Março de 2011
DOVE VA QUESTO AGNELLO?
Gritou a excisão da língua.
Ele, que é o manso, que não
levanta o braço para ferir
ferindo se proclama de outrem
Sou o cordeiro de Nana
Sou o cordeiro de Nana
Sou de Nana Nana Na
Grita a excisão cantante
Esse que apenas pede
um lance na complicação
de tudo o que não se cala.
E portanto fere, perscruta, dança a
dança da ordem impiedosa
-Rezai assim:
Quarta-feira, 9 de Março de 2011
Terça-feira, 1 de Março de 2011
अवे एक्सुद्र औ वू
EXUDRA O VOO DO PÁSSARO
QUE É SÓ UM E SÓ UM SE REPARTE
TODO
PELAS MIL ASAS DA MANHÃ
ANTHOS DISSE A AVE INVENTA O VOO
E ISTO É O PENSAMENTO A PENSAR-SE
CANTO ÀQUELE PÁSSARO QUE
DE ALGUMA FORMA
É TODOS OS PÁSSAROS
CANTO EXPLICO,
CANTO E A CARA DO ANJO
ESCANDE AO MESMO TEMPO
PELAS QUATRO परदेस
AS QUATRO
-CARDEAIS!-
DIRECÇÕES DO VENTO!
MENINA PRÓDIGA EM EMBLEMAS,
MENINA AZUL,
MENINA FARSA
COLANDO
CALANDO O AD ETERNUM EM
EM SÍMBOLOS;
VISÕES DE BANDOS;
ARCONTEMPLAÇÕES DA GÍRIA CELESTE;
ABÓDODAS ACUPLADAS ;
E MANIFESTAÇÕES DA CARNE DENTRO,
A PENETRADA.
CANTANDO SOMENTE
AO VENTO QUE PASSA
E OS RISOS, AS ORQUESTRAS, AS FLORESTAS
A FESTAS E O FOGO,
O QUE ARDE!
O QUE DE UMA VOLTA TUDO GALGA
E NO INCÊNDIO JÁ SEM PORTA
O ÍNDIO CABELUDO VOLTANDO-SE
E EM VEZ DA DESPEDIDA (ERA A MORTE)
DEIXA CAIR O MANTO:
POSSO AINDA LEVAR ALGUMAS AVES COMIGO,
ANDA, PÁSSARO.
QUE É SÓ UM E SÓ UM SE REPARTE
TODO
PELAS MIL ASAS DA MANHÃ
ANTHOS DISSE A AVE INVENTA O VOO
E ISTO É O PENSAMENTO A PENSAR-SE
CANTO ÀQUELE PÁSSARO QUE
DE ALGUMA FORMA
É TODOS OS PÁSSAROS
CANTO EXPLICO,
CANTO E A CARA DO ANJO
ESCANDE AO MESMO TEMPO
PELAS QUATRO परदेस
AS QUATRO
-CARDEAIS!-
DIRECÇÕES DO VENTO!
MENINA PRÓDIGA EM EMBLEMAS,
MENINA AZUL,
MENINA FARSA
COLANDO
CALANDO O AD ETERNUM EM
EM SÍMBOLOS;
VISÕES DE BANDOS;
ARCONTEMPLAÇÕES DA GÍRIA CELESTE;
ABÓDODAS ACUPLADAS ;
E MANIFESTAÇÕES DA CARNE DENTRO,
A PENETRADA.
CANTANDO SOMENTE
AO VENTO QUE PASSA
E OS RISOS, AS ORQUESTRAS, AS FLORESTAS
A FESTAS E O FOGO,
O QUE ARDE!
O QUE DE UMA VOLTA TUDO GALGA
E NO INCÊNDIO JÁ SEM PORTA
O ÍNDIO CABELUDO VOLTANDO-SE
E EM VEZ DA DESPEDIDA (ERA A MORTE)
DEIXA CAIR O MANTO:
POSSO AINDA LEVAR ALGUMAS AVES COMIGO,
ANDA, PÁSSARO.
Sexta-feira, 18 de Fevereiro de 2011
अवे एक्सुद्र ओ वू
Proa plural de benção que à passagem a mulher canta: Desnuda a culpa, chama ao vento, desnuda o vento, chama à cúpula. É a tangente, é a tangente. Cê ponto proa, ponto índio, ponto filo afilado na quilha fálica. Tudo isto a luz na água asperge.
Quarta-feira, 9 de Fevereiro de 2011
A NAVE ESPACIAL
Lapidada foi, uma cabaça
até que do seu centro gravitacional
se destituiu a graça
e ela pôde, enfim,
flutuar.
E se a cabaça girou lenta no ar
e permitiu no espaço
o claro desenho da sua órbita,
o repolho, a couve, o abacaxi
giram em vórtices alucinados
insondáveis e impacientes.
Ó como são belos os frutos
com os seus corpos fractais tão propícios ao exagero.
Lapidados, voam como naves espaciais.
O mundo é extraterrestre.
até que do seu centro gravitacional
se destituiu a graça
e ela pôde, enfim,
flutuar.
E se a cabaça girou lenta no ar
e permitiu no espaço
o claro desenho da sua órbita,
o repolho, a couve, o abacaxi
giram em vórtices alucinados
insondáveis e impacientes.
Ó como são belos os frutos
com os seus corpos fractais tão propícios ao exagero.
Lapidados, voam como naves espaciais.
O mundo é extraterrestre.
Sábado, 11 de Dezembro de 2010
A Prática.
ābāhu puruṣākāraṁ śaṅkhacakrāsi dhāriṇam |
sahasra śirasaṁ śvetam praṇamāmi patañjalim ||
Tomando a forma de um homem até aos ombros,
segurando uma concha, um disco, e uma espada,
De mil cabeças brancas coroado,
A Patanjali, eu saúdo.
sahasra śirasaṁ śvetam praṇamāmi patañjalim ||
Tomando a forma de um homem até aos ombros,
segurando uma concha, um disco, e uma espada,
De mil cabeças brancas coroado,
A Patanjali, eu saúdo.
I.
Depois da chacina (crânios rachados ao meio)
os eleitos preparam o chão:
Delimitam o perímetro sagrado com minúsculas medalhas de lacre.
Aí dormirão, comerão, e se exercitarão
com as cabeças rentes àquelas medalhas
que delimitam o dojo-
então toda a sua vida uma missa e uma oração. Da prática.
então toda a vida -e por esta ordem- uma oração, um remédio, uma selva, uma vénia.
À mulher que sobrevive (misericórdia?),
espera-a outro perímetro,
o desdobramento interior correspondente à arena,
exíguo e exclusivo.
É a vénia às mil cabeças acima- o Canto.
E canta:
Patanjali me poupou,
escolheu-me para me ensinar.
Quinta-feira, 18 de Novembro de 2010
DE RERUM NATURA
A ARTE É A PRAXIS DO ESPANTO
FUNDIR ( A BRONZE ) UMA FOLHA (DE ÁRVORE) GROSSA.
OH, ESPERAR QUE SUA MEMBRANA AGUENTE O IMENSO METAL
O TEMPO SUFICIENTE
PARE SE TRANSFORMAR NELE
PARA SEMPRE
E PARA SEMPRE TAMBÉM
ELE (O METAL) PODER BROTAR
NATURAL
FUNDIR ( A BRONZE ) UMA FOLHA (DE ÁRVORE) GROSSA.
OH, ESPERAR QUE SUA MEMBRANA AGUENTE O IMENSO METAL
O TEMPO SUFICIENTE
PARE SE TRANSFORMAR NELE
PARA SEMPRE
E PARA SEMPRE TAMBÉM
ELE (O METAL) PODER BROTAR
NATURAL
Sábado, 13 de Novembro de 2010
Quinta-feira, 11 de Novembro de 2010
A Paixão e a Prisão de SJC
Dentro do príncipe morava o rei e dentro deste o primeiro orava,
o que por um se conquistava o outro enaltecia,
e o que a um se abandonava o outro rejeitava.
A tudo isto um sopro acrescia,
Um nomeado, é certo,
mas cujo canto soprava onde queria.
Quarta-feira, 3 de Novembro de 2010
JOELHO
A PRÁCTICA
TRAZ-ME O IN
ÍCIO QUE O
FIM CO
SE:
REBENTÁDOR,
RASGÃOLIGANTE!
TEM DE SER ESTA
A ESTREITA
PASSAG
EM PAR
A O VÔ
O
A PRÁCTICA
TRAZ-ME O IN
ÍCIO QUE O
FIM CO
SE:
REBENTÁDOR,
RASGÃOLIGANTE!
TEM DE SER ESTA
A ESTREITA
PASSAG
EM PAR
A O VÔ
O
A PRÁCTICA
TRAZ-ME O IN
ÍCIO QUE O
FIM CO
SE:
REBENTÁDOR,
RASGÃOLIGANTE!
TEM DE SER ESTA
A ESTREITA
PASSAG
EM PAR
A O VÔ
O
TRAZ-ME O IN
ÍCIO QUE O
FIM CO
SE:
REBENTÁDOR,
RASGÃOLIGANTE!
TEM DE SER ESTA
A ESTREITA
PASSAG
EM PAR
A O VÔ
O
A PRÁCTICA
TRAZ-ME O IN
ÍCIO QUE O
FIM CO
SE:
REBENTÁDOR,
RASGÃOLIGANTE!
TEM DE SER ESTA
A ESTREITA
PASSAG
EM PAR
A O VÔ
O
A PRÁCTICA
TRAZ-ME O IN
ÍCIO QUE O
FIM CO
SE:
REBENTÁDOR,
RASGÃOLIGANTE!
TEM DE SER ESTA
A ESTREITA
PASSAG
EM PAR
A O VÔ
O
Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010
Terça-feira, 26 de Outubro de 2010
Depois de Augusto,
come a flauta o poeta
alisa a tua seda saia sedenta
come a flauta o poeta
arranha os avessos do nome, prepara
o cabelo,
o alto nome,
as trinta cabeças entrançadas
em estacas juncos vivantes
bífidos assobios
come a flauta poeta:
aqui eu digo o meu agora
alisa a tua seda saia sedenta
come a flauta o poeta
arranha os avessos do nome, prepara
o cabelo,
o alto nome,
as trinta cabeças entrançadas
em estacas juncos vivantes
bífidos assobios
come a flauta poeta:
aqui eu digo o meu agora
Sexta-feira, 22 de Outubro de 2010
O AMOR SÃO DOIS LEÕES ARRANHANDO A PELE DO AMOR E NÃO O CERNE DO AMOR
EXISTIRMOS, A QUE SERÁ QUE DESTINA?
Sexta-feira, 1 de Outubro de 2010
Quarta-feira, 21 de Julho de 2010
Salvador, BA
Beware, he went on saying, of all kinds of anthropologists. They never are concerned nor mention in any way that outer axis.
This he told me looking much like an icon, the palm of his hand outward, his legs folded before him. Crowning him, the dreadful accent of passengers. And just perhaps he might have married one, long before.
Quinta-feira, 8 de Julho de 2010
Segunda-feira, 17 de Maio de 2010
Vida índia
Uma aragem verde a principal prática periódica da lavra. Uma que sulca o próprio ventre, fibra, plasma, até à afinação do osso e sua total resplandescência. Uma pulição que não promete, só entrega e entrega e se entrega. Coroa uma espiral de entendimento a redenção que se desenrola num movimento ascendente, por dentro mesmo da fibra vegetal. Coroa o solo. Coroa o olho. Uma selvajaria que é o próprio método, o próprio mergulho, o próprio desdém.
Quinta-feira, 13 de Maio de 2010
Terça-feira, 4 de Maio de 2010
Vamos ver.
A senhora afinca-se no ovo, como se este lhe pudesse trazer o voo que experimentara outrora. Perfura-o imperceptívelmente, faz escorrer nos sulcos todo o miolo; afina a casca em ossos miudinhos, filos luminosos; prepara qualquer coisa. Enganam-se todos os que a pensam saudosa - toda a alquimia por mais ensaiada prepara a espera. Ah, a senhora Clément está indo adiante, se está. Desembaraçada das coisas do mundo e dos jardins, H.C. pode finalmente abandonar-se à economia do excesso em que engendra os dias. Já sem falar das empresas esquemáticas que encetou e às quais se entrega, pulso e alma.
A construção de um jardim, quando finalmente se conseguiu o abandono sistemático de todas as clareiras de rosas da vida adulta é talvez um projecto caro, demasiado caro a um pequeno externo, pequenas mãos, pequeno crânio e respectivas clavículas. Mas um que permitirá os hibiscos.
A construção de um jardim, quando finalmente se conseguiu o abandono sistemático de todas as clareiras de rosas da vida adulta é talvez um projecto caro, demasiado caro a um pequeno externo, pequenas mãos, pequeno crânio e respectivas clavículas. Mas um que permitirá os hibiscos.
Quinta-feira, 29 de Abril de 2010
O Rei
O Rei é um
procrastinador
que adunca os prazos.
escorre os metros palmilhados com
a única precisão que um corpo encerra:
a esquelética.
Ao fundo o conselho reúne,
esmagam-se peónias rechonchudas
com o pé,
e veneráveis sábios moribundos
desejam no leito de morte conversas
corriqueiras e alheias, sobretudo.
-Para o lago, diz.
E nós estamos aqui para a vontade do Rei.
Terça-feira, 20 de Abril de 2010
УСПЕИИЕ ДОГОМАТЕРИ (II)
Do adormecimento muito se especulou (pelos séculos dos séculos); aquele carpir sem piedade nenhuma foi descrito com mãos que se quebraram ao arrimar-se ao leito e túnicas de ouro tecidas tornando impassivelmente ao fuso.
Mas quando a virgem finalmente adormeceu, eis o filho, o filho. E os beijos que dele tombaram.
Lisboa, Abril de 2010. Ainda a prática do coração, portanto.
УСПЕИИЕ ДОГОМАТЕРИ
The Dormition
Foi quando adormeceu enfim
a virgem (que teve filho),
que este lhe apareceu,
entronado.
E nos seus braços -hijo mío- vinha
em infantilizada escala,
a figura da mãe.
O que fez a virgem soltar
uma gargalhada
que apagou a vela
que mandara acender
para aquele leito.
O que por sua vez
fez do Filho tombar
aquilo que hoje mal sabemos
mas a que remotamente chamamos
de incessantes
beijos
cerrados.
Foi quando adormeceu enfim
a virgem (que teve filho),
que este lhe apareceu,
entronado.
E nos seus braços -hijo mío- vinha
em infantilizada escala,
a figura da mãe.
O que fez a virgem soltar
uma gargalhada
que apagou a vela
que mandara acender
para aquele leito.
O que por sua vez
fez do Filho tombar
aquilo que hoje mal sabemos
mas a que remotamente chamamos
de incessantes
beijos
cerrados.
Moscovo, Março de 2009
O ARPOADOR
queixa-se na beira mar que o o seu músculo estópico não resiste ao desfile branco.
Sem um se perfilam os outros, bravos como baleias. Nunca o meu amor foi tão bem tratado, suspira.
Sem um se perfilam os outros, bravos como baleias. Nunca o meu amor foi tão bem tratado, suspira.
18 de Janeiro de 2010
Quarta-feira, 7 de Abril de 2010
ESTRELA DE NOVENTA PONTAS
QUANDO NO ESPAÇO
HÁ UM FRACTAL QUE BRILHA,
PRECEDE UMA ÍNTIMA E MORAL OBRIGAÇÃO
DE TRAÇAR QUALQUER CONSTELAÇÃO,
POR MAIS MINÚSCULA, QUE DESENHE.
Quarta-feira, 24 de Março de 2010
Terça-feira, 9 de Março de 2010
DIÁRIA
Tanto quanto a rocha é acéfala, nada o mar.
E assim como a proa fálica, o ovo
completa a rotação na terceira casa da diária
ascensão solar.
Este é o percurso que a escuridão da gruta opera na vista daquele que não vê.
O cego por quem a verdade
exagerou o seu cultivo.
E assim como a proa fálica, o ovo
completa a rotação na terceira casa da diária
ascensão solar.
Este é o percurso que a escuridão da gruta opera na vista daquele que não vê.
O cego por quem a verdade
exagerou o seu cultivo.
LuxFrágil, 8 de Março de 2010
Quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2010
Al revés
cercados, iridescemos
A construção da mesa (eucarística, claro está) acerca-se do cerco daquele comovido palácio (augusta propriedade de exílio de K., o incívil chefe de cerimónias) com a velocidade com que as flechas medievais se aproximam do seu directo destino: sem uma pestana. Uma iridescente cadência ascendente. Que galopa.
Primeiro, a estrutura servindo a gravidade; depois, o plano do tampo garantindo a perpendicularidade e com ela o mísero ensaio de uma eternidade que a podridão raia- tal como apodreceram os modelos das naturezas mortas, para lá da sua fixação a óleo; (Antes que borboleta bata as suas asquerosas asas duas vezes, já a mesa se ergueu, se põs, e se dispôs.) E nunca, durante a célere construção, qualquer coisa que possa, ainda que remotamente, guardar a lentidão síncopa do seu bailado posterior. Sim, por último nunca o olho de Deus.
A construção da mesa (eucarística, claro está) acerca-se do cerco daquele comovido palácio (augusta propriedade de exílio de K., o incívil chefe de cerimónias) com a velocidade com que as flechas medievais se aproximam do seu directo destino: sem uma pestana. Uma iridescente cadência ascendente. Que galopa.
Primeiro, a estrutura servindo a gravidade; depois, o plano do tampo garantindo a perpendicularidade e com ela o mísero ensaio de uma eternidade que a podridão raia- tal como apodreceram os modelos das naturezas mortas, para lá da sua fixação a óleo; (Antes que borboleta bata as suas asquerosas asas duas vezes, já a mesa se ergueu, se põs, e se dispôs.) E nunca, durante a célere construção, qualquer coisa que possa, ainda que remotamente, guardar a lentidão síncopa do seu bailado posterior. Sim, por último nunca o olho de Deus.
Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010
para tocar o outro lado da tua cara
Uma mudez tão inexorável quanto perfeita. A acrobática dança do desenraizamento* é um mortal no escuro de uma cabeça vegetal. E à limpa rigidez do eixo do olhar sucede uma infinda desmultiplicação prismada. Digo: é a vertigem. Depois a clareza desfeita e refeita por feixes de luz, depois o movimento imperceptível, absolutamente nulo mesmo, da respiração. Tentar o fôlego, o delírio, o mergulho arcolíríco e desfragmante, a mentira e, finalmente, o braço. Se estivesse em mim descreveria o mundo concreto em que toda esta acção se desenrolou. Há dias em que vale a pena arriscar a meticulosa descrição do desenho que o movimento de um certo braço (maciço) faz no espaço. Hoje não é um dia para explicações, hoje é um dia reservado à alegria. Em minúsculas doses, é certo. E com línguas bífidas.
Segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010
The slope - Now see to it.
Em cada uma delas, uma assinatura surpreendentemente infantil de exasperada caligrafia minúscula faziam daquele o único nome. Foi como um amor irrecuperável.
O encontro com a profusa autora foi igualmente inesperado. Passo a relatar: Enquanto pilhava a divisão, caíram (de bruços mesmo) estes olhos sobre um par de óculos de massa vermelha que estavam pousados na mesa camilha. Imediatamente soube que eram os teus, que ali tinhas estado a ler. Soube, entre outras coisas, quem eras, a forma da tua cara, o teu papel naquela complicada família.
12 Janeiro 2009
Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010
Azizi
Through the slush and the ruts of the roadway—
By the side of the dam of the stream;
Where the wet fishing nets are drying,
The carriage jogs on, and I muse.
Tolstoy
By the side of the dam of the stream;
Where the wet fishing nets are drying,
The carriage jogs on, and I muse.
Tolstoy
Pelo muro do casco antigo de Rabat,
carpindo uma cara sem riso,
vai um Judeu novo.
A pedra ecoa os passos
enquanto a barba
(negra) em capicua
apara as lágrimas.
E embora o homem chore
sem tristeza e deambule
o próprio caminho para casa,
são 1) a luz, difusa mas focal
e 2) o som, único, distinto, repercurtido,
quem abrem a boca
do espanto.
Um rapaz pequeno
de olhos pretos lamenta
a gaiola do seu pássaro azul
que lamenta a gaiola do seu menino
grande.
Como sei eu estas coisas,
como distingo, com quotidiana angústia
cada som, a própria barba
do Judeu?
Tudo isto aconteceu já,
Só não sei dizer quando.
vai um Judeu novo.
A pedra ecoa os passos
enquanto a barba
(negra) em capicua
apara as lágrimas.
E embora o homem chore
sem tristeza e deambule
o próprio caminho para casa,
são 1) a luz, difusa mas focal
e 2) o som, único, distinto, repercurtido,
quem abrem a boca
do espanto.
Um rapaz pequeno
de olhos pretos lamenta
a gaiola do seu pássaro azul
que lamenta a gaiola do seu menino
grande.
Como sei eu estas coisas,
como distingo, com quotidiana angústia
cada som, a própria barba
do Judeu?
Tudo isto aconteceu já,
Só não sei dizer quando.
Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2010
A CABEÇA PRIMOGÉNITA
ANTÃO o meu primeiro. Antão de membros maciços, de canto estouvado, Antão.
Da tua cabeça saiu intacta e ininterrupta, toda a doutrina -oral, orada- que podemos, ainda que remotamente, vislumbrar dos anacoretas.
Do teu corpo compacto, a quietude divina destilando a hesychìa te tornou inamovível, de fogo.
Agora pode ver-se que depois de ti se perfila -mais ou menos ordenadamente- a tremenda linhagem soberana.
Segunda-feira, 11 de Janeiro de 2010
Mas tem de haver mais.
Aceno para sete degraus acima, onde está minha mãe em meu lugar, onde está minha irmã doce habitando com olhos de tarântula o meu lugar, onde os filhos perfeitos de Deus cantam o seu grito lírico, ocupando o exacto tamanho (e dele tombando) da torre de um metro e setenta e um centímetros.
SOMOSOSFILHOSPERFEITOSDEDEUSCAÍMOSDOCÉUFEITOUMALUZSOMOSOSFILHOSPERFEITOSDEDEUSSOMOSOSFILHOSPERFEITOSDEDEUSSOMOSOSFILHOSPERFEITOSDEDEUS!
SOMOSOSFILHOSPERFEITOSDEDEUSCAÍMOSDOCÉUFEITOUMALUZSOMOSOSFILHOSPERFEITOSDEDEUSSOMOSOSFILHOSPERFEITOSDEDEUSSOMOSOSFILHOSPERFEITOSDEDEUS!
Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2009
Hay que luchar pero sin perder la ternura jamás
Tento lembrar um dia que é um número. Tento lembrar a matéria de que sou feita, ao menos pela metade. Não tento ser tal matéria, mas que poder além da rejeição mesma do poder habita a impassibilidade? Mulher, homem: cabeça augusta do número, tento o braço maciço da palavra que derivou directa, intacta desde a hesychìa no deserto até aqui, onde ele talvez devesse irradiar ainda que secretamente, mas não irradia coisa nenhuma, há demasiada água para isso hoje.
Tento ainda, sobre tudo o resto, não perder a cadência que me trouxeste junto com a leviandade da mesma. O despudor do ritmo, bendita sejas. Do arranhão de 1,71 m não falarei, que embora tentasse, perdi na luta toda a nomenclatura para a oração.
E o ano que vem trará o retrato de um santo (híbrido), está dito.
Tento ainda, sobre tudo o resto, não perder a cadência que me trouxeste junto com a leviandade da mesma. O despudor do ritmo, bendita sejas. Do arranhão de 1,71 m não falarei, que embora tentasse, perdi na luta toda a nomenclatura para a oração.
E o ano que vem trará o retrato de um santo (híbrido), está dito.
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